Atuais e ex seminaristas saem em defesa de Dom Alberto taveira - Front catolico

Atuais e ex seminaristas saem em defesa de Dom Alberto taveira


 



Nos últimos meses de 2020, um escândalo abalou a comunidade católica paraense e envolveu uma das figuras mais importantes da igreja na capital, o arcebispo metropolitano de Belém, Dom Alberto Taveira Corrêa.

Alvo de investigações do Ministério Publico do Estado e da Santa Sé, Dom Alberto foi acusado por quatro ex-alunos do Seminário São Pio X, em Ananindeua, na região metropolitana de Belém, dos crimes de assédio moral, sexual e abuso sexual, que teriam sido praticados no ano de 2014, quando as supostas vítimas tinham idades entre 15 e 20 anos.
 

O processo corre em segredo de justiça, mas detalhes das acusações e relatos dos jovens foram assunto em uma reportagem veiculada pelo jornal El País, no último dia 20. A reportagem expõe como teriam sido praticados os supostos abusos e a maneira como os seminaristas, na época, eram tratados dentro do seminário, e por Dom Alberto. 


A reportagem foi duramente criticada pela comunidade católica e membros da igreja. Para estes grupos, “tais acusações não são da índole do Arcebispo”. O repúdio também partiu de seminaristas do próprio Seminário São Pio X, que teriam convivido com as supostas vítimas, na época em que os crimes são relatados. 

Na última quarta-feira, 23, o Portal Roma News esteve no seminário e conversou, com exclusividade, com três seminaristas: L. L .M. (28 anos), A. F. O. (25) e E. R. A (28); além de dois ex-seminaristas; I. M. (30 anos) e L. D. M. (32); que apresentaram uma outra versão sobre o que, segundo eles, poderia ter motivado as acusações contra Dom Alberto.

A proximidade com Dom Alberto e a suposta "terapia espiritual” 

Segundo o seminarista L. L. M a presença do arcebispo no seminário é comum e a relação dele com os padres e seminaristas da casa sempre foi de proximidade, vista como ums relação paternal, entre pai e filhos.

"Nesse processo formativo que nós temos, a presença e a figura do bispo é muito importante. Nós seremos amanhã os padres e nós seremos os principais colaboradores dele. O seminário não forma somente padres, ele forma pessoas e se preocupa com a questão da integridade humana", defendeu.

"Temos uma equipe formativa, com o reitor, vice-reitor, e um orientador espiritual que orienta e conversa com os seminaristas, mas não obrigatoriamente é só ele. Ele mora aqui e fica a nossa disposição e a função dele é ouvir a gente. Se eu quiser me confessar agora, bato na porta do quarto dele e vamos para sala de confissão. Mas se eu não quiser me confessar com ele, eu posso escolher qualquer padre e isso inclui também o bispo", diz ele sobre as conversas entre seminaristas e o arcebispo.

Nas acusações, o comportamento do arcebispo também é descrito como paternal, mas segundo os denunciantes, "para identificar jovens que seriam homossexuais, ganhando confiança para atrai-los a sua casa com o pretexto de ajudá-los a se livrar de sua homossexualidade, assediar e cometer os abusos". 

Os seminaristas que conversaram com nossa reportagem, admitiram existir conversas particulares, mas, segundo eles, de maneira espontânea por parte do aluno, que deve assinar uma lista manifestando "interesse no atendimento" do arcebispo. A partir disso, uma visita do líder religioso à instituição é organizada para que ele faça os atendimentos no próprio seminário.

Sobre as supostas ocasiões em que os seminaristas iriam a casa do Arcebispo, L.L.M. explica "como ele (Dom Alberto) não consegue atender a todos, pois sempre ficamos entre 30 e 50 seminaristas, algumas vezes o procuramos para conversar fora daqui". 

Sobre serem chamados pelo próprio Dom Alberto a irem à sua casa, E. R. A, que também é seminarista, afirma que não é comum, mas que a casa do Arcebispo sempre foi aberta para atendimentos e que por conta da proximidade, "pode ocorrer do arcebispo perceber que algum aluno não está bem, e chamá-lo para conversar". 

A. F. O diz que já foi chamado por Dom Alberto para uma conversa em seu quarto, no Seminário São Pio X. "Recebi o convite aqui em casa mesmo, e na ocasião, não havia assinado a lista, mas eu não estava bem. Dom Alberto me conhece há 10 anos, e ele falou 'vamos aqui'. Tirou suas paramentas (roupas especiais), e lá no quarto me perguntou 'o que está acontecendo? o bispo lhe conhece', e ali eu disse o que estava acontecendo, sempre com a porta aberta", conta. 

"Nunca tentou comigo nada do tipo do que o acusam e não conheço nenhum seminarista ou ex-seminarista que de fato tenha sido vítima disso" - A. F. O.

Sobre os atendimentos ocorreram no quarto do arcebispo, os seminaristas afirmam ser apenas por uma questão de espaço e privacidade, que os atendimentos sempre ocorrem de portas abertas, e que no espaço, seja no seminário ou em sua casa, além da cama, há um ambiente de escritório.  

"Não é segredo que Dom Alberto faz atendimentos em casa. Sempre que chegamos para conversar com ele há muita gente lá", afirma E. R. A. 

"A residência episcopal nunca foi habitada somente pelo bispo. Ele tem uma série de funcionários ali, a começar pelo porteiro, e mora também lá uma comunidade de freiras, e já moraram também outros bispos honrados que tinham quartos ao lado do dele.', explicou L. L. M. 

"Como poderiam ocorrer essas coisas com Dom Vicente, por exemplo, ao lado? Ou mesmo com tantas pessoas que vivem e trabalham lá?" - L. L. M. 

O que dizem os entrevistados sobre as acusações ao arcebispo

As acusações das quais o arcebispo de Belém é alvo partiram de quatro ex-seminaristas, dois deles declarados homossexuais e que teriam tido um relacionamento amoroso, dentro do seminário. I. M e D. I. M. também são ex-seminaristas e dizem ter convivido com os acusadores. 


"O que saiu nessa reportagem não existiu. Não tem nenhum tipo de verdade ou aconteceu algo parecido. Isso não aconteceu", afirma I. M, que hoje é casado. Ele acredita que a motivação para as acusações é a "ingratidão" e a "não aceitação dos padrões impostos", e ainda classifica a narrativa dos supostos abusos como "obra demoníaca".
 
"Todos nós passamos por um problema durante a vivência no seminário e todos nós fomos ajudados. Eles passaram por problemas, assumiram o que estavam passando sobre a questão da afetividade, entre outras coisas na comunidade, e não deixaram ser ajudados. Simplesmente não deixaram ser ajudados".

"A única coisa que queriam era que a regra fosse aplicada conforme a vontade deles, só que as coisas não são assim. Não me espanta que tenham tomado essa atitude, egoísta, maldosa e até demoníaca, pois não atinge só Dom Alberto, mas atinge uma fé"- I. M. 

"Dá forma como hoje eles expõem a suposta situação, será que realmente querem justiça?  ou querem escândalo? Essas pessoas que hoje acusam Dom Alberto são investigadas em um outro processo penal movido por  Dom Alberto e outro bispo da arquidiocese de Belém por crimes cibernéticos.  As pessoas que estão acusando hoje já tem um histórico passado. Já hackearam e-mails, já espalharam fake news, e foi aberto um processo criminal contra elas, e hoje elas vêm acusar as vitimas", revela L. L. M. 

"Quando essas pessoas saíram do seminário elas não saíram única e exclusivamente pelas opções afetivas delas. O que os levou a sair do seminário não foi porque um deles se declarou homosexual. Na igreja temos a regra de que os homossexuais devem ser acolhidos para viver na castidade, como Deus quer que eles vivam. O que a igreja não pode acolher é o pecado. O que não foi acolhido pela igreja foram suas práticas que não condizem com a vida que nos propusemos a levar. O celibato é uma norma para todos que se formam padres, independente de sexualidade", complementa.

Manifestações a favor e contra de Dom Alberto

Na última quinta-feira, 24, o Arcebispo Metropolitano de Santarém, Dom Irineu Roman, manifestou apoio a Dom Alberto, contra as acusações. A Renovação Carismática Católica do Brasil também publicou uma carta em apoio ao líder religioso da capital paraense. 

O Conselho Nacional da instituição aprovou a nota por unanimidade, afirmando que Dom Alberto está sendo alvo de calúnias "que atacam a sua honra". Além disso, convocaram os fiéis da Igreja a orarem pelo acusado "para que a verdade se reestabeleça".


Entidades como o Seminário Obra de Maria, Seminário Arquidiocesano de São José, Comunidade Canção Nova, Arquidiocese de Palmas, Comissão Arquidiocesana de Presbitérios, entre outras, também escreveram cartas abertas em apoio a Dom Alberto. Nas redes sociais, uma hashtag foi criada por fiéis em apoio ao religioso.

Por outro lado, outras 37 instituições da sociedade civil, publicaram cartas de apoio às investigações e pediram o afastamento do arcebispo de Belém das suas funções na igreja até que as investigações sejam concluídas


0 comentários via Blogger
comentários via Facebook

Footer

Tecnologia do Blogger.