Um padre e uma fiel, que trabalha como voluntária na igreja, foram ameaçados de morte na manhã deste domingo (11/8) durante uma missa na Paróquia Sagrados Estigmas de Nosso Senhor Jesus Cristo e Santo Expedito, no setor Jardim América, em Goiânia. O marido da fiel chegou durante a celebração, sentou-se ao lado mulher e disse que iria matar ela e o padre. O padre em questão, Josinaldo Filomeno da Silva, administrador da igreja, registrou um boletim de ocorrência contra o homem na Central de Flagrantes, em Goiânia.



A reação do homem teria sido gerada pelo fato de a mulher ter ido à missa. Conforme informações colhidas pela Polícia Militar (PM) no local, o homem estava com raiva porque teria proibido a fiel de ir à missa. Como ela foi, ele se dirigiu à igreja e ameaçou tanto ela quanto o padre.
Depois da ameaça durante a celebração, a mulher saiu em direção a uma sala da igreja. O homem foi atrás, assim como alguns voluntários chamados de “ministros da eucaristia” (distribuem um pão consagrado, considerado o corpo de Jesus Cristo pela Igreja Católica). De acordo com o padre, eles tentavam acalmá-lo, mas ele dizia que iria levar a mulher ao cemitério, matá-la e em seguida iria matar o padre.
Ao mesmo tempo, alguns voluntários da igreja interromperam o padre durante a missa, o retiraram do altar e o colocaram em outra sala. Segundo o padre, como ficou muito abalado, um ministro da eucaristia terminou a celebração, e ele retornou no final apenas para explicar aos fiéis o que havia acontecido. “Nunca passei por uma situação assim”, disse Josinaldo. Segundo ele, uma advogada da Arquidiocese de Goiânia entrou em contato ainda pela manhã para orientá-lo.



Pouco antes de a polícia chegar, o autor das ameaças foi embora. De acordo com o sargento Moura, do 1º Batalhão da PM, que atendeu a ocorrência, a esposa do homem contou que ele era agressivo em casa, mas que nunca a agrediu. Moura explicou que nenhuma testemunha confirmou ter de fato visto uma arma. Conforme o padre, as pessoas que estavam presentes tentando acalmar o homem alegam que ele dava a entender que estava com algo, mas não mostrou. Ao sargento, a mulher disse não ter conhecimento de que ele possua arma em casa. O homem é servidor da Secretaria de Economia de Goiás, segundo o padre.
Josinaldo afirma que agora fica muito preocupado não só com ele, mas também com a esposa do homem. O padre pontua que, por ser uma pessoa pública, tudo se torna mais difícil. “Eu administro uma igreja, e a igreja não pode parar. A maior parte das cerimônias é o padre que faz. Infelizmente, é um risco que eu vou ter que correr”, afirma. Segundo ele, todos os cuidados serão tomados. Seguranças que já iriam comparecer para uma festa que começa na próxima segunda (12) já irão auxiliar neste ponto. "Não posso deixar a paróquia, abandonar os serviços por causa dessa ameaça. A nossa missão é mais forte. Tomarei, como já estou tomando, todas as medidas possíveis de segurança”, disse.
AMEAÇA ANTERIOR
De acordo com o padre, no final do ano passado o homem lhe pediu ajuda com assuntos pessoais, envolvendo questões familiares. Josinaldo afirma que o homem esperava que padre o ajudasse a resolver os problemas, conversando com seus familiares.



O padre afirma, entretanto, que ele tentou aconselhá-lo. “Eu fui realista, porque já sabia da história. Fui tentar mostrar a ele que as coisas que acontecem na vida dele, ele também tem participação; que ele não pode condenar todo mundo e se colocar como vítima”, disse.
No entanto, segundo Josinaldo, o homem não havia ido para ouvir esses conselhos. Então, ao final do atendimento, ele saiu dizendo algo que soou como ameaça. “Naquele momento eu não dei importância”, comentou. Isso aconteceu por volta de dezembro do ano passado, pouco tempo depois que um homem matou quatro pessoas durante uma missa Catedral de Campinas, em São Paulo, e em seguida cometeu suicídio.
Josinaldo afirma que ao se lembrar do episódio, fica ainda mais preocupado. “Tenho medo que essas coisas comecem a proliferar”, disse. E completou: “infelizmente, em qualquer lugar que estamos, nós estamos sujeito a esse tipo de coisa”