Para salvar milhões, seria ético matar Adolf Hitler… quando bebê? - Front catolico

Para salvar milhões, seria ético matar Adolf Hitler… quando bebê?





Uma pergunta cruel - e uma ideia distorcida sobre o livre arbítrio

Imagine que, por absurdo, você pudesse viajar no tempo e encontrar Adolf Hitler quando ele ainda era bebê.

Você saberia que, quando crescesse, aquele bebê se tornaria um dos monstros mais cruéis e doentios de todos os tempos, responsável pela tortura e pelo extermínio de milhões de pessoas na pior de todas as guerras já causadas em toda a história da humanidade.

Você teria, diante dos seus olhos e ao alcance das suas mãos, uma chance de impedir uma das mais devastadoras ondas de sofrimento e destruição imagináveis.

Você mataria aquele bebê?

Esta foi a terrível pergunta que o jornal The New York Times lançou aos seus leitores em outubro de 2015, embalado pelo frenesi que havia na época em torno ao filme “De Volta para o Futuro”, com seu enredo de viagens no tempo.



O resultado da pesquisa foi anunciado pelo jornal via Twitter: 42% dos leitores responderam que matariam, sim, aquele garotinho de olhos sonhadores que viria a se tornar o Führer nazista. 30% disseram que não o matariam e 28% não souberam o que decidir.

É importante recordar que as pesquisas via Twitter não têm valor científico, mas este caso, em concreto, sugere uma possível concepção geral de que cada pessoa está de alguma forma “predestinada” a fazer o que faz – e que nada poderia alterar o seu “destino”, exceto, talvez, soluções radicais como o assassinato.

A partir desta concepção, veio uma consequência preocupante: a maioria dos participantes da enquete se declarou disposta a matar um inocente (o menino Adolf) para punir um criminoso (o adulto Hitler).

O caso indica a nossa ilusão de “ler” em cada ser humano um prenúncio de genialidade ou de abjeção, como se tudo já estivesse pré-programado e fosse previsível mediante “metadados”. Vivemos numa época, aliás, em que somos continuamente catalogados e indexados tanto com base no que já fizemos ou dissemos quanto com base naquilo que “potencialmente” faremos ou diremos. Há computadores dedicados a “prever” o nosso comportamento com base em uma complexíssima gama de variáveis supostamente quantificáveis. Não sabemos, por exemplo, até que ponto o Google já nos classificou e arquivou nas suas memórias mais profundas e inacessíveis. O que sabemos é que milhares de empresas pagam milhões de dólares por “inteligência” a nosso respeito – e que, com base nessa “inteligência”, somos definidos como “bons” ou “maus” para determinados interesses econômicos, políticos, ideológicos…

Se isto em si mesmo já é grave o suficiente para merecer reflexões bastante sérias, é ainda mais grave constatar que, quando os “metadados” indicam que algo ou alguém é ou será “mau”, tendemos a acatar essa catalogação sem muito senso crítico.

Foi o que ocorreu nessa brincadeira de eugenia anacrônica do New York Times.

A propósito: você mataria aquele bebê?



 O Que diz a Igreja??





Assassinar um ser humano para salvar a vida de outro ser humano é reduzir o primeiro à situação de objeto – mesmo que o segundo seja a sua própria mãe.
O Papa João Paulo II sustentou o mesmo princípio de que o fim não justifica os meios:
«As circunstâncias ou as intenções nunca poderão transformar um ato intrinsecamente desonesto pelo seu objeto, num ato "subjectivamente" honesto ou defensível como opção» (Encíclica Veritatis Splendor, n. 81).
Na encíclica Evangelium Vitae sobre o valor e a inviolabilidade da vida humana, João Paulo II aplicou essa regra geral ao caso específico da morte provocada do inocente:


«A decisão deliberada de privar um ser humano inocente da sua vida é sempre má do ponto de vista moral, e nunca pode ser lícita nem como fim, nem como meio para um fim bom. É, de fato, uma grave desobediência à lei moral, antes ao próprio Deus, autor e garante desta; contradiz as virtudes fundamentais da justiça e da caridade» (Evangelium Vitae, n. 57).
Ademais, na mesma encíclica, o Papa João Paulo II não se limitou a tirar essa conclusão como também, exercendo o poder supremo de seu magistério, confirmou infalivelmente esse ensinamento:
«Com a autoridade que Cristo conferiu a Pedro e aos seus Sucessores, em comunhão com os Bispos da Igreja Católica, confirmo que a morte direta e voluntária de um ser humano inocente é sempre gravemente imoral. Esta doutrina, fundada naquela lei não-escrita que todo o homem, pela luz da razão, encontra no próprio coração (cf. Rm 2, 14-15), é confirmada pela Sagrada Escritura, transmitida pela Tradição da Igreja e ensinada pelo Magisterio ordinário e universal.» (Evangelium Vitae, n. 57)

Uma vez que esse ensinamento está contido entre as verdades dogmáticas definidas pelo magistério infalível, e considerando que a Igreja católica é uma comunidade de doutrina, quem, uma vez advertido, negar ou puser em dúvida esse ensinamento, coloca-se ipso facto fora da Igreja e incorre na pena de excomunhão latae sententiae prevista no cânon 1364 do Código de Direito Canônico para o delito canônico de heresia.

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